Cinco milhões de dentes são perdidos todos os anos em práticas esportivas

Cinco milhões de dentes são perdidos todos os anos em práticas esportivas
Além das lutas, exerícios como corrida e caminhada também podem gerar traumas nos dentes

Cinco milhões de dentes são perdidos, todos os anos, em práticas esportivas ao redor do mundo, segundo dados da American Dental Association. Dois deles foram do Marcelo Pereira da Silva, mais conhecido como Bereta, que saltaram da sua boca em meados de 2008, durante uma aula de jiu jitsu

Enquanto praticava o movimento recém-aprendido com um colega, Bereta foi pego de surpresa por um triângulo bem encaixado, de forma que o seu maxilar empurrou, sem querer, os dentes inferiores contra os superiores. Quando percebeu, os dois incisivos tinham caído.

“Na hora, você não sente tanto a dor. Depois eu tive que fazer vários procedimentos para colocar o implante, as facetas. Como minha raiz trincou e eu tive que esperar desinchar, levou alguns meses para que minha boca voltasse a ficar cheia de dentes”, relata o professor e faixa preta em jiu jitsu, de 49 anos.

Traumatizado com o acontecido, Bereta nunca mais saiu de casa sem um protetor bucal, feito por um dentista especialmente para ele. “Eu sabia que estava sujeito a um chute ou soco, mas não achei que fosse acontecer algo. Hoje indico para meus alunos e para todos o uso do protetor bucal”, conta Bereta, que vive em Rancho Alegre do Oeste, dando aulas de jiu jitsu em um projeto social.

Esse número não é desculpa, no entanto, para quem ainda não se matriculou na academia, mas serve de alerta para o cuidado com a saúde bucal.

“Não é possível negligenciar esse tipo de traumatismo”, explica Eli Luiz Namba, dentista especialista em Odontologia do Esporte e presidente da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte. “A única forma de se proteger é usando um protetor bucal, que diminui 80% a força de impacto que chegará à boca durante um trauma”, reforça o especialista.

E não vale usar os protetores bucais vendidos em lojas para artigos esportivos. Embora sejam mais baratos que os confeccionados pelos dentistas, os modelos geralmente prejudicam a oxigenação do atleta. “O corredor chega a trocar de 50 a 60 litros de oxigênio por minuto durante o exercício. Com um protetor comprado em loja, essa troca gasosa diminui 30%. Isso faz com que ele tenha fadiga muscular precoce, porque o oxigênio não chega aos músculos”, explica Namba.

“Hoje eu indico o uso do protetor bucal para todo mundo, até para quem caminha, porque descarregamos o estresse na boca, afetando os dentes”, alerta.

A força vem dos dentes

Quem corre no parque Barigui, segundo o especialista em Odontologia do Esporte, tem mais chance de fraturar um dente, mas o risco não está apenas na eventualidade de tropeçar em uma capivara e cair no gramado.

Ao correr, caminhar ou fazer qualquer exercício, não é incomum forçarmos os dentes, em um apertamento que leva a dores na região temporomandibular. “Quando fazemos um levantamento de peso, nunca contraímos só a musculatura principal. Contraímos tudo, inclusive a face. Se você levantar um supino de boca aberta, não consegue levantar o peso”, reforça o dentista.

Da mesma forma, maratonistas chegam a percorrer 42 km forçando a musculatura da face – situação que gera dores e exige tratamentos longos. A solução? Protetores bucais.

“O custo de um protetor era mais caro, mas hoje os confeccionados pelos dentistas variam de R$ 250 a R$ 400. O valor pode ser alto, mas evita quebrar um dente, uma fratura de mandíbula, que chega a custar R$ 30 mil para recuperar”, diz Namba.

Fonte: Gazeta do Povo

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